
Há dias assim, dias sem sentido, perdidos na imensidão dos minutos, como que o anuncio do pousar do sol ao seu nascimento.
Há dias que as ruas parecem desertas, presas a imagens que do passado recortamos e nos convidam a viajar sem rumo.
Há dias vazios, em que a imensidão da luz nos é insuficiente perante o desgaste da solidão.
Há dias como o de hoje...
O hoje que morre ao adormecer, e se transforma num novo dia, numa nova vida...
Há dias em que os enganos são muitos e o que se diz não é o que se percebe, hoje tinha de ser um dia desses. Hoje foi um acumular de situações de engano, cada um agravando o outro que o antecedeu. Como é possível que a interpretação pessoal, os ouvidos e sei lá mais o quê possam distorcer tanto uma simples mensagem inicial?Porque nem sempre te vejo
e a solidão abraça-me nesses dias tristes
em que a luz por mais que brilhe
não consegue entrar em mim.
Porque te sinto perto
nessa busca que não acaba nunca
na brevidade de encontros
que não satisfazem por mais de um momento.
Porque por vezes somos como estranhos
e és outra pessoa no mesmo corpo
alguém que não reconheço
nem mesmo quero conhecer.
Porque sou sempre para ti
o que adivinho completar-te
e porque és para mim o que desejo
e em ti reconheço-me a mim próprio.
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