sexta-feira, 12 de junho de 2009

Uma nova economia é possível?


Dia desses fui ver uma palestra na UMAPAZ, em São Paulo, de um indiano, Acarya Jinanananda Avadhuta, que sugeria um novo modelo econômico, calcado na sustentabilidade. O tema despertou meu interesse no ato, afinal, aliar sustentabilidade à economia é um grande desafio para a nossa geração.
Então conheci a “Teoria da Utilização Progressiva”, ou simplesmente Prout, um modelo de desenvolvimento sócio-econômico pensado no final da década de 50 pelo filósofo Prabhat Ranjan Sarkar (o da foto). Confesso que se trata de uma ideia bem interessante afinal, como Acarya mesmo disse, nasceu para ser uma nova opção aos sistemas já existentes - como o capitalismo e o comunismo. A principio, pode até parecer utópico, mas se desejamos uma nova sociedade todas as ideias devem ser levadas em consideração.
Acarya explicou que esse sistema defende uma democracia baseada em uma economia descentralizada, com base no cooperativismo; ou seja, a visão egoísta do máximo lucro para benefício de poucos passa longe daqui. O Prout também sugere a limitação da riqueza individual, visando o bem-estar social. Por exemplo, se o salário mínimo de um povo for R$ 500,00 o máximo deverá ser dez vezes esse valor.
O que eu achei bem legal nesse sistema, é que ele incentiva a exploração dos recursos naturais e desenvolvimento de atividades pelo governo local: quanto mais próximas forem as produções e o consumo, melhor. Aí entra aquela velha história que tanto se fala – mas pouco se aplica – do pensar global e agir local. Quanto mais se investir na economia local, naquilo que está próximo de nós, mais as comunidades se fortalecem e adquirirem a sua sustentabilidade. Cada região produzindo para o consumo de seus habitantes, atendendo as necessidades básicas de sua própria demanda.
Conversei com um professor de uma Universidade do Rio Grande do Sul, e ele me disse que para consumir tomates, a cidade de Cuiabá importa os frutos de São Paulo! Ou seja: um caminhão roda mais de mil quilômetros, emite poluentes na atmosfera, consome recursos naturais (combustível) para levar tomate a uma região que poderia muito bem produzir para o seu próprio consumo. Quanto mais conseguíssemos evitar isso, melhor seria.
Bom, agora, quanto ao Prout, não sei se a nossa sociedade está pronta para abraçá-lo. Também não sei se é o ideal. Mas uma coisa é certa: devemos começar a considerar os recursos naturais em nossas produções, já que os sistemas ecológicos estão sendo explorados além do limite de sua capacidade de renovação. Se não houver um equilíbrio ecológico em nossa economia, não nos restará nada. E lembrando o que disse certa vez o bom velho Bob Marley “dinheiro não compra a vida”.
Quem quiser saber mais é só entrar no site: http://www.prout.org/por/

por jhonathan spyderok

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